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A DOR DO ABANDONO

A DOR DO ABANDONO

Era uma manhã de sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um
corpo sem vida foi baixado à sepultura.
De quem se trata? Quase ninguém sabe.
Muita gente acompanhando o féretro? Não. Apenas umas poucas pessoas.
Ninguém chora. Ninguém sentirá a falta dela. Ninguém para dizer aDeus ou até
breve.
Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela
mulher havia passado boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza
encontrou em uma gaveta ao lado da cama, algumas anotações.
Eram anotações sobre a dor...
Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar
para idosos...
Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem
extravasar uma parte desse sentimento, grafado em algumas frases:

Onde andarão meus filhos?
Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite,
cuidei com tanto desvelo, onde estarão?
Estarão tão ocupadas, talvez, que não possam me visitar, ao menos para dizer
olá, mamãe?
Ah! Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono... A mais
deprimente solidão...
Se ao menos eu pudesse andar... Mas dependo das mãos generosas dessas moças
que me levam todos os dias para tomar sol no jardim... Jardim que já conheço
como a palma da minha mão.
Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos,
para me envolver com carinho...
Os dias passam... e com eles a esperança se vai...
No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei...
Mas, agora... como esquecer que fui esquecida?
Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia?
Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfaze-lo.
Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima...
Queria saber dos meus filhos... dos meus netos...
Será que ao menos se lembram de mim?
A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos... que a arrastam sem
misericórdia... para longe de mim.
Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim...
É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em
caminhos floridos que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me
esperam com amor e alegria...
Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo... que eu vivo... que
eu sinto...
Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e
silencioso. E esse alguém voltou para provar isso, mesmo depois de ter sido
crucificado e sepultado...
E essa é a única esperança que me resta...
Sinto que a minha hora está chegando...
Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações
e as divulgasse.
E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em
asilos, e jamais os visitam...
Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser
abandonado...

***

A data assinalada ao final da última anotação, foi a data em que aquela mãe,
esquecida e só, partiu para outra realidade.
Talvez tenha seguido para aquele jardim dos seus sonhos, onde jovens
afetuosos e gentis a conduzem pelos caminhos floridos, como filhos
dedicados, diferentes daqueles que um dia ela embalou nos braços, enquanto
estava na terra.

Equipe de Redação do Momento Espírita.

A DOR EM NOSSAS VIDAS

A DOR EM NOSSAS VIDAS

Você
já parou para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento, em
nossas vidas?
Talvez num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece
apertar forte, você tenha pensado em Deus, na vida, e gritado intimamente:
por quê?!
Os benfeitores espirituais vem nos esclarecer que a dor é uma lei de
equilíbrio e educação.
Léon Denis, reconhecido escritor francês, em sua obra "O Problema do Ser, do
Destino e da Dor", esclarece que o gênio não é somente  o resultado de
trabalhos seculares; é também a apoteose, a coroação de sofrimento.
De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton, todos os grandes homens,
como eles, têm sofrido.
A dor fez-lhes vibrar a alma, inspirou-lhes a nobreza dos sentimentos, a
intensidade da emoção que souberam traduzir com os acentos do gênio, e que
os imortalizou.
É na dor que mais sobressaem os cânticos da alma.
Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá saírem os gritos
sinceros, os poderosos apelos que comovem e arrastam as multidões.
Dá-se o mesmo com todos os heróis, com todas as pessoas de grande caráter,
com os corações generosos, com os espíritos mais eminentes. Sua elevação
mede-se pela soma dos sofrimentos que passaram.
Ante a dor e a morte, a alma do herói e do mártir revela-se em sua beleza
comovedora, em sua grandeza trágica que toca, às vezes, o sublime, e o
inunda de uma luz inapagável.
A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito pela
dor. Sem ela, não pode haver virtude completa, nem glória imperecível.
Se, nas horas da provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação
misteriosa da dor em nós, em nosso "eu", em nossa consciência,
compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.
A dor é um dos meios de que Deus se utiliza para nos chamar a Si e, ao mesmo
tempo, nos tornar mais rapidamente acessíveis à felicidade espiritual, única
duradoura.
É, pois, realmente pelo amor que nos tem que Deus envia o sofrimento.
Fere-nos, corrige-nos como a mãe corrige o filho para educá-lo e melhorá-lo;
trabalha incessantemente para tornar dóceis, para purificar e embelezar
nossas almas, porque elas não podem ser completamente felizes, senão na
medida correspondente às suas perfeições.
A todos aqueles que perguntam: para que serve a dor? A sabedoria divina
responde: para polir a pedra, esculpir o mármore, fundir o vidro, martelar o
ferro.
***
A dor física é, em geral, um aviso da natureza, que procura preservar-nos
dos excessos. Sem ela, abusaríamos de nossos órgãos até o ponto de os
destruirmos antes do tempo.
Quando um mal perigoso se vai insinuando em nós, que aconteceria se não lhes
sentíssemos logo os efeitos desagradáveis? Ele nos invadiria cada vez mais,
terminando por secar em nós as fontes de vida.
É assim que, em nosso mundo, para o nosso crescimento, a dor ainda se faz
necessária.

Momento Espírita, a partir do livro "O Problema do Ser, do Destino e da Dor,
Léon Denis, cap XXVI.

A EDUCAÇÃO

A EDUCAÇÃO

É pela educação que as gerações se transformam e aperfeiçoam. Para uma
sociedade nova são necessários homens novos. Por isso, a educação  desde a
infância é de importância capital.
Não basta providenciar a instrução da criança. Ela deve aprender a se
conduzir como ser consciente e racional. Isto é tão necessário como saber
ler, escrever e contar.
É entrar na vida, armado, não só para a luta material, mas, principalmente,
para a luta moral.
Para despertar na criança as primeiras aspirações ao bem, para corrigir um
caráter difícil, são precisos, por vezes, a perseverança, a firmeza, uma
ternura de que somente o coração de um pai ou de uma mãe pode ser capaz.
Essa tarefa, no entanto, não é tão difícil quanto se pensa, pois não exige
uma ciência profunda. Grandes e pequenos a podem realizar, desde que se
compenetrem do alvo elevado e das conseqüências da educação.
Bonita lição foi a ocorrida em um supermercado. A jovem mãe tinha cerca de
27 anos e o menino, uns 2. Ele se mostrava birrento, teimoso e violento.
Ela, forte, serena e irredutível.
O local era uma prateleira de supermercado recheada de chocolates. O menino
parecia uma fera. Queria, porque queria, cinco. Ela, firme, dizia que ele
poderia levar apenas um.
Foi uma aula de maternidade. O menino gritava, chorava tão forte e doído que
parecia estar apanhando.
Batia os pés, rolava no chão, ameaçava derrubar a prateleira toda. Tudo
inútil.
Sem usar de violência física ou erguer a voz, a mãe o obrigava a escolher.
"ou leva um só ou não leva nenhum. Vai ter de escolher."
A voz não era de quem tem raiva. Era de quem guarda  certeza do que está
fazendo. Mais ou menos 15 espectadores observavam o acontecimento,
aglomerando-se no corredor do supermercado.
Foram dez minutos dolorosos, no final dos quais o pequeno aceitou sua
derrota. Os gritos e os pontapés foram diminuindo. Por fim, ele parou com a
manha, aceitou a mão da mãe e saiu do supermercado com sua única barra de
chocolate.
O resto ficou lá, na prateleira. Perdeu o supermercado. Venceu a mãe. Venceu
a educação.

Desde que o mundo é mundo, crianças querem porque querem, certas coisas.
Muitos pais cedem, ou para não enfrentar o incômodo da birra, ou porque
temem os olhares de eventual desaprovação de quem os observa.
Os que não educam os seus filhos, os verão sofrer na vida, fazer sofrer a
outros e perder a chance de progresso.
São fabulosos os pais que proíbem, sem raiva, e dão o necessário, sem dar
demais.
A nossa sociedade tem mentalidade de supermercado. Oferece mil prateleiras
com tentações e incita os imaturos a consumir mais do que precisam.
Por isso mesmo, são dignos de aplauso os casais que educam seus filhos para
não consumir demais, a fazer escolhas, a crescer, a amadurecer.

***

Os espíritos que habitam os corpos dos nossos filhos vêm coabitar conosco
para que os ajudemos a vencer os seus defeitos e os preparemos para os
deveres da vida.
Estudemos, desde o berço, as tendências que a criança trouxe das suas
existências anteriores. Apliquemo-nos a desenvolver as virtudes e aniquilar
os vícios.
Que não nos detenham a fadiga, nem o excesso de trabalho.
Auxiliemos a transformação social. Transformemos a face do mundo, pelo
caminho da educação.

Equipe de Redação do Momento Espírita com base em texto de autoria ignorada
e o cap. 54 do livro Depois da morte, de autoria de Léon Denis, ed. FEB.

A educação sempre em pauta

No amplo teatro, alugado especialmente para o encontro, se reuniam
autoridades de todo o estado. Discutia-se a questão de verbas para as tantas
necessidades das diversas comunidades.
Horas foram planejadas para se apresentarem as necessidades, as estratégias de
redução de gastos, a mais correta divisão dos recursos a fim de que todas as
áreas fossem bem atendidas.
Planejava-se ali o atendimento à criança, ao jovem, ao idoso, à gestante, ao
carente. Nenhum detalhe estava sendo esquecido.
As autoridades se revezavam ao microfone, falando de metas a serem alcançadas,
de trabalho sem descanso a ser realizado. Enfim, fez-se uma pausa para um
pequeno descanso.
Todos demandaram o amplo salão onde várias mesas apresentavam o lanche com
pães, doces, salgados, refrigerantes, café, água. Entre um e outro
salgadinho, os colegas aproveitavam para trocar idéias, para cumprimentar
aqueles que já haviam discursado.
Retornando ao teatro para a continuidade dos trabalhos, um dos participantes
levou um copo com refrigerante. Quase ao transpor a porta, a senhora encarregada
da recepção pediu licença e lhe lembrou, conforme avisos afixados em vários
lugares, que ele não poderia adentrar no teatro com o refrigerante.
O homem, até então muito educado, olhou-a de cima e falou alto:
- A senhora sabe com quem está falando?
A senhora de pronto respondeu:
- Não senhor.
Ao que ele explicou:
- Pois saiba a senhora que eu sou fulano de tal, e foi dizendo o cargo que
ocupava no Estado.
Ela, ainda e sempre educada, prosseguiu:
- Muito prazer em conhecê-lo, senhor. Mas devo continuar lhe dizendo para não
entrar nas dependências do teatro com o refrigerante. Mais do que ninguém, o
senhor como autoridade de um município do nosso estado sabe o quanto custa o
patrimônio público e quanto custa para o manter.
- O senhor é encarregado de zelar pelo dinheiro do povo e dar ao povo o melhor.
O senhor, em sua cidade, zela pelas praças, pelos jardins, pelo teatro, a
biblioteca pública, o museu, as escolas. Mais do que ninguém o senhor sabe que
o dinheiro público não pode ser desperdiçado. O refrigerante que o senhor
deseja levar para o teatro pode derramar e manchar a poltrona ou o tapete. E
haverá necessidade de se gastar para a substituição de uma ou de outro.
O homem olhou para a mulher, deu meia volta, depositou o copo de refrigerante
sobre uma mesa próxima, voltou para a entrada do teatro e disse:
- A senhora tem toda a razão. Obrigado pela lição.
E retornou para os trabalhos com seus colegas.
A verdadeira humildade está em reconhecer os próprios erros, não
importando o cargo ou a função que se ocupa.
E todos podemos ser educadores, onde quer que estejamos. Podemos dar o exemplo,
fazendo. Podemos falar, demonstrando o que é correto realizar.
Sempre que falemos com educação e demonstremos bom senso no que pedirmos, com
certeza, seremos ouvidos e atendidos. É que nem sempre estamos dispostos a
realizar este trabalho e preferimos deixar passar. Com isso, estamos perdendo
uma oportunidade sem par de melhorar o mundo em que nos encontramos.

A ESCOLHA ACERTADA

A ESCOLHA ACERTADA

A época era de dificuldades. Os dramas humanos se multiplicavam nas estradas
da china, sem que ninguém tivesse muito tempo para olhar para o lado e
tentar auxiliar o vizinho.
Foi durante a guerra civil chinesa, que sucedeu ao conflito mundial da
segunda guerra.
Wong e sua esposa Lee, com as quatro filhas, tinham urgência em sair de Hong
Kong. Ele era um ilustre professor procurado pelas forças que oprimiam o
país.
Enquanto ele tentava conseguir um meio de transporte que, por muito
dinheiro, os pudesse levar para o campo, à casa de um tio, onde se poderiam
ocultar, tentando salvar as próprias vidas, Lee acomodava as pequenas ao seu
redor.
Ela precisava cuidar da bagagem, porque  na confusão das ruas não eram
poucos os que se aproveitavam para saquear os descuidados.
Precisava também atender as crianças que, um tanto assustadas, em meio à
movimentação intensa, choramingavam, agarradas às suas vestes.
Num tempo que pareceu eterno, o marido chegou com um Jinriquixá, uma espécie
de carrinho, puxado por um homem. Mas, enquanto ele providenciava a
acomodação das malas, embrulhos e valises no pequeno transporte, um outro se
aproximou.
Com certeza, vislumbrando a chance de um bom dinheiro, ofereceu-se para
levar a família ao seu destino. Esperto, sabendo do preço elevado que o
outro fizera, propôs um valor menor.
O professor Wong, homem prático, aceitou. Porém, Lee, a esposa, disse que
não era correto deixar o homem que antes fora contratado. Afinal, ele
perdera seu tempo, andara até ali puxando seu veículo e merecia respeito.
Falou de forma tão incisiva que o marido aceitou suas ponderações e lá se
foram, no transporte mais caro.
A viagem não teve maiores dificuldades. Uns sustos aqui e ali, à conta de
homens inescrupulosos pelo caminho, contudo, chegaram bem ao final da
viagem.
Quer dizer, quase ao final. Porque o tio de Wong morava do outro lado do
canal, e o Jinriquixá não ousou atravessá-lo.
Saltando do veículo,  o casal dividiu a bagagem entre si e as pequerruchas,
que tiveram também que carregar alguns embrulhos, apesar do pequeno tamanho,
e atravessaram a ponte a pé.
Chegando à casa do tio e recebidos, com surpresa natural, começaram a se
acomodar nos poucos cômodos. Depois que alimentou as filhas e as deitou para
o descanso, transcorridas em torno de duas horas da chegada, Lee se deu
conta que faltava uma mala.
"Meu Deus!" Gritou ela. Logo aquela em que havia escondido todo o dinheiro
que haviam conseguido juntar, antes da fuga.
E agora? O coração em descompasso, pôs-se a chorar, abraçada ao marido.
"Como continuar a fuga sem dinheiro? Como dar continuidade à vida, sem nada
a não ser as roupas e quatro bocas famintas para alimentar?"
Enquanto se dispunha, afinal, a secar as lágrimas, erguer a cabeça e
recomeçar as lutas para a sobrevivência, alguém bateu na porta.
Todos se olharam temerosos. Seriam andarilhos salteadores? Seriam
guerrilheiros que haviam descoberto a fuga?
O tio, procurando demonstrar uma calma que longe estava de sentir, abriu a
porta. A punição por acolher fugitivos era severa. Talvez a morte.
Mas, na porta, estava o condutor... Com a mala. Viera devolvê-la, tão logo
se dera conta que fora esquecida em seu transporte.
Fizera um longo trajeto de volta, ousara atravessar a ponte, somente para
entregar a uma família fugitiva, a bagagem, com todo o seu conteúdo intacto.
O tio nem esboçou atitude. Todos ficaram parados, sem reação, pelo inusitado
do momento. Um gesto de honestidade em meio à confusão que vivia o país e
onde muitos somente pensavam em tomar de outros, à força, o que pudessem.
Lee ajoelhou-se e agradeceu a Deus que lhe havia inspirado para fazer a
viagem com aquele homem, apesar do preço mais elevado.

***

A gratidão nasce nos momentos mais inusitados e a honestidade se revela nos
corações bem formados.
Mesmo em meio ao caos, o homem guarda na intimidade valores reais dos quais
lança mão em momentos precisos.
Por vezes, um simples gesto pode resultar em muitas bênçãos. Como o de Lee,
em manter a fidelidade ao contrato verbal acertado com um desconhecido, em
um momento de angústia e quase pavor, que alcançou ressonância em outro
coração, quiçá, tão perseguido e maltratado como o dela mesma.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história real narrada
pela filha do professor Wong, Shou Wen Allegretti.

À ESPERA DOS PAIS

À ESPERA DOS PAIS

A dama da alta sociedade costumava desfilar em sua carruagem de luxo pelas
ruas de São Francisco, sob olhares de admiração e inveja.
Um dia, os jornais publicaram o falecimento de uma tia, e ela, obedecendo as
convenções sociais, teve que permanecer no lar por uma semana.
Indignada por ter que ficar sete dias dentro do enorme palácio, buscou o
marido, então Governador do Estado, e este a fez lembrar-se de que poderia
passar os dias brincando com o filho.
Ela gostou da idéia e adentrou a ala esquerda do palácio que tinha sido
liberada para o pequeno príncipe, que vivia rodeado por profissionais de
diversas nacionalidades a fim de lhe ensinarem idiomas e costumes de outros
povos.
Quando o pequeno Leland avistou a mãe, exultou de felicidade e lhe perguntou
porque ela estava ali, naquele dia e hora não habituais.
Ela lhe contou o motivo e ele, feliz, lhe perguntou quantas tias ainda
restavam.
Leland estava ao piano tocando uma balada que aprendera com sua babá
francesa. A mãe, impressionada, ficou ouvindo por alguns instantes aquela
melodia que espalhava pelo ar acordes melancólicos. Pediu ao filho que a
cantasse, ele cantou. Pediu que a traduzisse, ele traduziu.
Era a história de um menino, que ia diariamente com a mãe até a praia, de
onde ficavam, ambos, olhando o pai desaparecer na linha do horizonte, em seu
barco pesqueiro.     Todos os dias a cena se repetia, até que um dia o barco
não mais retornou.
A mãe pediu ao filho que a esperasse ali, pois iria buscar o marido.
Adentrou no mar e de lá não mais voltou. E o filho ficou esperando na praia
pelo pai e a mãe, que jamais retornaram.
A balada comoveu a grande dama. Ela falou ao filho que era muito triste. Ele
respondeu que cantava porque se identificava com o menino da praia. A mãe
não entendeu em que consistia a semelhança e falou ao filho:
- Você tem tudo. Não lhe falta nada. Tem mãe e pai e é herdeiro de um dos
homens mais importantes deste Estado.
Leland respondeu com ar de tristeza:
- Papai adentrou, há muitos anos, o mar dos negócios e nunca o posso ver.
- Você o seguiu e eu fiquei aqui à espera de um retorno que nunca acontece.
Como você pode perceber, minha história é muito semelhante à do menino
solitário da praia.
Daquele dia em diante a dama passou a conviver mais com o filho de onze
anos. Conheceu-o melhor e aprendeu a amá-lo.
O carinho e os afagos maternos deram a Leland um brilho novo. Por algum
tempo a vida lhes permitiu desfrutar da alegria do afeto mútuo, das
experiências vividas, um em companhia do outro.
Fizeram uma longa viagem de navio, e Leland adoeceu. A mãe fez tudo o que
podia para salvar-lhe a vida, mas foi tudo em vão.
O navio retornou e Leland não pode mais contemplar a mãe com os olhos
físicos.
Todavia, naquele breve tempo de convívio, o menino ensinou à mãe outros
valores.
Ela construiu orfanatos e outras obras de assistência para a comunidade
carente.
Leland não herdou a fortuna dos pais, mas a fortuna rende frutos até hoje,
junto à sociedade daquele Estado. Dentre elas a Universidade Stanford.
***
Não há motivo que justifique o abandono dos filhos por parte dos pais.
Não há filhos que aceitem, de boa vontade e em sã consciência, trocar o
afeto dos pais por qualquer outro tesouro.
Pensemos nisso!

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em palestra proferida por
Divaldo Pereira Franco



A CULPA ACOMPANHA O CULPADO

A CULPA ACOMPANHA O CULPADO

Há algum tempo, lemos a notícia de que um médico alemão, acusado de vários
crimes sexuais e assassinatos, suicidara-se, na prisão, enquanto aguardava
julgamento.
Sem entrar no mérito quanto à veracidade de ter sido ou não suicídio,
recordamos que são muitas as notícias desse gênero.
É comum o fato de criminosos tentarem fugir da culpa pela porta falsa do
suicídio, ou evadindo-se do local do crime querendo apagar as marcas dos
delitos, fugindo para outra localidade.
No entanto, estando em si mesmos a gravação dos desatinos, deles terão que
dar conta onde estejam, sob quaisquer disfarces de que se revistam, pois "a
cada um será concedido conforme suas obras".
Assim, a culpa acompanhará o culpado, sempre, até que consiga dela
libertar-se, pelas realizações no bem, ou pela transformação das energias
grosseiras e perturbadoras através dos filtros dos sofrimentos reparadores.
Ademais, o criminoso cujo crime fica oculto das leis humanas, não consegue
livrar-se da vítima, a não ser que esta seja um espírito superior.
Contrariando o dito popular: "morto o animal, extinto o veneno", aquele que
saiu do corpo sem sair da vida, planejará a vingança.
Permanecerá vinculado ao seu algoz, emitindo vibrações desequilibradas e
desequilibrantes de forma a perturbar a mente culpada, induzindo-a à loucura
ou ao suicídio.
É por esse motivo que muitos criminosos não suportam a presença invisível de
suas vítimas e caem em desatinos de grandes proporções.
Essa vinculação se dá mente a mente. E só se efetiva porque há a conexão
ódio-remorso. Quando o agente do ódio se aproxima da criatura culpada com
suas vibrações perturbadoras, destrambelha o psiquismo desta causando
convulsões epilépticas entre outros desequilíbrios.
Não queremos dizer com isto que todos as enfermidades mentais são de origem
obsessiva, pois incorreríamos em grave erro.
Para algumas pessoas, essa forma de resgate do culpado, tem sabor de castigo
divino, mas assim não é.
O que ocorre é que existem leis das quais não poderemos fugir, e uma delas é
a lei de causa e efeito, ou de ação e reação.
O homem tem o livre-arbítrio para agir, pois que a nada é constrangido mas,
perante as leis divinas, assume toda a responsabilidade dos seus atos.
Dessa forma, se todos observássemos a recomendação do cristo de fazer aos
outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem, não teríamos tantos
frutos amargos para colher.
Você sabia?
Você sabia que não é somente pela dor que podemos resgatar nossas faltas?
Conforme afirma o Apóstolo Pedro, "o amor cobre a multidão de pecados".
Assim, temos duas opções: resgatamos pelo amor, dedicando-nos ao bem dos
semelhantes, ou pela dor, que age como um buril, aparando as arestas do
nosso caráter.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, baseado no livro Justiça e
amor, Ed. Fráter, Livros Espíritas, cap. A culpa acompanha o culpado.



A FÉ DE UMA CRIANÇA

A FÉ DE UMA CRIANÇA

Foi na áfrica central. No abrigo improvisado das missionárias, uma mulher
entrou em trabalho de parto.
Apesar de todos os esforços da equipe, ela não resistiu e morreu, logo após
dar à luz um bebê prematuro.
Sua filhinha de dois anos começou a chorar e não havia o que a pudesse
consolar.
Não havia eletricidade e, portanto, era complicado manter o bebê vivo sem
uma incubadora.
Ele foi colocado em uma caixa e envolto em panos de algodão.
Bem depressa alguém foi alimentar o fogo para aquecer uma chaleira de água
para a bolsa de água quente.
Mesmo morando na linha do equador, as noites eram, por vezes, frias e
sopravam aragens traiçoeiras.
Logo descobriram que a única bolsa para água quente estava rompida.
 "Que fazer?" - pensou a responsável.
Providenciou para que o bebê ficasse em segurança tão próximo quanto
possível do fogo. À noite, para protegê-lo das lufadas de vento frio, as
moças deveriam dormir entre a porta e o bebê.
Na tarde seguinte, a missionária foi orar com as crianças do orfanato. Para
as incentivar à oração, ela fez uma série de sugestões e lhes contou a
respeito do bebê.
Explicou a dificuldade em mantê-lo aquecido, sem a bolsa de água quente.
Também disse que o bebê poderia morrer de frio.
Mencionou ainda a irmãzinha de 2 anos que não parava de chorar a ausência da
mãe.
Então, uma menina de 10 anos se ergueu e orou em voz alta: "por favor, Deus,
manda-nos uma bolsa de água quente. Amanhã talvez já seja tarde, porque o
bebê pode não agüentar.
Por isso, manda a bolsa ainda hoje.
E... Deus, já que estás cuidando disso mesmo, por favor, manda junto uma
boneca para a irmãzinha dele, para que saiba que também a amas de verdade."
A missionária nem conseguiu dizer assim seja. Poderia Deus fazer aquilo?
O único jeito de Deus atender o pedido da menina seria por encomenda de sua
terra natal, via correio. Ela lembrou que estava na áfrica central há 4
anos.
Nunca havia recebido uma encomenda postal de sua casa. E mesmo que alguém
tivesse a idéia de mandar um pacote, quem pensaria em mandar uma bolsa de
água quente, para um local na linha do Equador?
Naquela tarde, um carro estacionou no portão da casa e deixou um pacote de
11 kg. Na varanda.
As crianças do orfanato rodearam o pacote. Quarenta olhos arregalados
acompanharam a abertura. Eram roupas coloridas e cintilantes. Havia também
ataduras, caixinhas de passas de uva e farinha. E, bem no fundo, uma bolsa
de água quente, novinha em folha.
Rute, a garota que pedira a bolsa, na prece, gritou: "se Deus mandou a
bolsa, mandou também a boneca."
Será?
E lá estava ela. Linda e maravilhosamente vestida.
Olhando para a missionária, Rute perguntou: "posso ir junto levar a boneca
para aquela menina, para que ela saiba que Deus a ama muito?"

O pacote fora enviado há 5 meses, por iniciativa de uma ex-professora da
missionária, que resolveu enviar uma bolsa de água quente, sem mesmo saber
porquê.
Uma das suas auxiliares, ao fechar o pacote, decidiu mandar uma boneca.
Tudo isso, cinco meses antes, em resposta a uma oração de uma menina de 10
anos que acreditou, fielmente, que Deus atenderia a sua oração, ainda
naquela tarde.
E há quem duvide que Deus é onipresente e onisciente!

Equipe de Redação do Momento Espírita com base em texto de autoria ignorada,
tradução feita pelo Rev. Oscar Lehenbauer e adaptado por Áureo Pinto.

A CRUZ

A CRUZ

No trato diário ocorre, muitas vezes, de reclamarmos das dores que nos chegam.
Vida dura! Cruz pesada!
E, de uma forma muito particular, olhamos para as demais pessoas com olhos examinadores, con-cluindo que elas não sofrem tanto quanto nós.
Dia desses, ao comentarmos acerca do acidente que sofreu uma pessoa famosa, resultando em sérios danos físicos, ouvimos da boca de quem nos escutava:
- Ah, mas essa pessoa tem muito dinheiro. É rica. Não tem com que se preocupar. Tem quem lhe atenda. Médicos, enfermeiras, terapeutas.
Em nenhum momento, a pessoa a quem nos dirigíamos pensou que, mesmo com dinheiro e fama, o acidentado deveria estar sofrendo intensamente.
Sim, sempre acreditamos que a dificuldade dos outros é menor. As nossas é que são enormes.
Pelo fato de pensarmos dessa forma é que, no vocabulário popular, se fala da cruz para significar as dificuldades próprias.
Carregar a própria cruz. Cruz pesada.
Conta-se que, certa vez, um homem inconformado passou a clamar aos céus:
- Senhor Deus, a cruz que carrego é muito pesada. Não estou suportando o peso das dificuldades e problemas que venho enfrentando.
Tanto reclamou que um dia, um espírito do Senhor se  apresentou e lhe disse que suas queixas tinham alcançado os céus.
Conduzido a um vasto campo, cheio de cruzes dos mais diversos e variados tamanhos, o amigo espiritual lhe disse que poderia escolher, dentre todas elas, a que melhor se lhe ajustasse.
Animado, o homem examinou as cruzes. Finalmente, depois de muitas examinar, avaliar, testar, apanhou aquela que lhe pareceu ideal.
- Você tem certeza que é esta mesma a que quer? Perguntou-lhe o mensageiro.
- Sim. Disse ele. Esta é a que melhor se ajusta aos meus ombros. Aquela cujo peso posso suportar.
Para seu espanto, o amigo lhe pediu que olhasse mais atentamente e então, o homem descobriu que a cruz que escolhera era exatamente a sua, aquela de cujo peso reclamara tanto.
Deus é justo. Infinitamente bom e misericordioso. Jamais concede à criatura fardo maior do que possa suportar.
As nossas queixas simplesmente demonstram que não estamos sabendo levar com dignidade a problemática.
Às vezes, por sermos muito rebeldes e não nos ajustarmos às disciplinas que nos são impostas, de outras porque gostaríamos muito de viver no amolentamento, na preguiça, não no trabalho e na luta.
A vida nos situa exatamente onde devemos estar. Todas as condições necessárias ao nosso aprendi-zado nos são apresentadas.
O que nos compete é colocar uma almofada entre a cruz e os ombros.
Uma almofada feita de virtudes cristãs.
Quando nos dispomos a servir, amar, perdoar, compreender, o peso das nossas dificuldades diminui-rá tanto que até nos esquecemos que estamos sobre a terra carregando o fardo das dificuldades.

***

A dificuldade é teste de resistência. É oportunidade de combate.
Aprendamos a transformar as dificuldades que se acumulam em nossos dias em oportunidades de trabalho e serviço.
Quando tudo estiver difícil e escuro, recordemos que além das nuvens pesadas, o sol está sempre a brilhar.

Equipe de redação do Momento Espírita, com base nos livros Viver em
plenitude - cap. 2 e Repositório de sabedoria - vol. 2 dificuldades.




A AÇÃO DE DEUS

A AÇÃO DE DEUS

Linda era uma modelo famosa. Requisitada e disputada, conseguia contratos milionários. Apesar do dinheiro, da fama e da beleza, ela não era feliz.
Sentia um imenso vazio por dentro. Sofria de pavor, ansiedade e insônia. Pensou em tomar medicamentos. Alguns amigos aprovaram, outros não.
Ela decidiu procurar outras terapias. Assinou contratos que jamais havia sonhado. Trabalhava muito, mas continuava atormentada.
Um dia, pela manhã, indo de carro para o trabalho, pelo caminho costumeiro, o trânsito parou. Um guarda estava desviando todo o trânsito para uma ruazinha estreita, porque um encanamento havia rompido na avenida principal.
Dirigindo lentamente pela rua desconhecida, ela passou em frente a uma igreja. Um cartaz, escrito à mão, dizia: “sem Deus não há paz. Conheça deus, conheça a paz. Todos são bem-vindos”.
Ela achou estranho e seguiu em frente. No dia seguinte, fazendo o mesmo trajeto, o trânsito parou. Um incêndio em uma loja fez com que, outra vez, o trânsito fosse desviado por aquela mesma ruazinha.
“De novo!”, Pensou linda. E passou outra vez pela igreja. Lá estava o cartaz, que agora lhe pareceu atraente. De dentro do carro, espiou o interior da igreja.
No terceiro dia, ela pensou em mudar de trajeto. Mas achou que estava sendo muito boba. Afinal, qual era a probabilidade de em três dias seguidos, acontecer o desvio do trânsito, no mesmo local?
“Vai ser um teste”, pensou. “Se acontecer alguma coisa e o trânsito for desviado, vou ter certeza de que é um sinal”.
Quando ela chegou na avenida, lá estavam os policiais outra vez. Um grande acidente, explicou um dos policiais, desviando o trânsito, para a já conhecida ruazinha.
“É demais”, falou linda, consigo mesma. Estacionou o carro e entrou na igreja. Lá dentro, havia apenas um padre. Ele ergueu os olhos, olhou para ela com um sorriso e perguntou:
“Por que demorou tanto?” – Ele havia visto o carro de linda passar ali nos três dias. Eles conversaram muito e como resultado, linda passou a freqüentar a pequena igreja.
Encontrou a paz e a serenidade que estava esperando. Exatamente como dizia o cartaz. Ela precisava de Deus na sua vida. E, sem dúvida, fora Deus que providenciara para que, de alguma forma, entendesse que ela precisava voltar-se para ele, alimentar o seu espírito com a fé, a esperança e o amor.
***  
A providência divina sempre se faz presente em nossas vidas. Ocorre que, nem sempre, estamos de olhos e ouvidos atentos para perceber e entender.
Filhos bem-amados do Criador, não podemos esquecer de buscar o amparo desse Pai amoroso e bom, para que nele encontremos o nosso refúgio seguro.
Muitos o procuram nas igrejas, nos templos. Outros, nos livros. Alguns tentam o coração do próximo para ver se ali descobrem Deus.
Em verdade, muitos são os caminhos, mas o encontro verdadeiro se dá portas a dentro do nosso coração.
Fonte:
Paz íntima – introdução
Pequenos milagres – pág. 120 – Linda Valentine

A ARTE DE ENSINAR

A ARTE DE ENSINAR

Dia desses um garoto de oito anos contava para a mãe suas experiências na
sala de aula. Comentava sobre cada professor, sua maneira de ser e de
transmitir ensinamentos.
Dizia que gostava muito das aulas de uma determinada professora, embora não
gostasse muito da matéria.
Comentava, ainda, que detestava ter que assistir as aulas de sua matéria
preferida porque não gostava da professora.
Dizia, com a franqueza que a inocência infantil permite: "a professora de
história está sempre de mau humor. Ela grita com a gente por qualquer motivo
e nunca sorri."
"Quando passa uma lição e algum aluno não faz exatamente como ela mandou,
faz um escândalo. Todos os alunos têm medo dela."
"Já a professora de português está sempre sorrindo. Brinca com a turma e só
chama atenção quando alguém está atrapalhando a aula. Eu até fiz uma
brincadeira com ela um dia desses, e ela riu muito."
Depois de ouvir atentamente, a mãe lhe perguntou: e por que você não gosta
das aulas de religião, filho?
Ah, falou o menino, o professor é grosseiro e cínico. Critica todos os
alunos que têm crença diferente da dele e diz que estão errados sempre que
não respondem o que ele quer ouvir.
E, antes de sair para suas costumeiras aventuras com os colegas, o garoto
acrescentou: agora eu sei que, por mais complicada que seja a matéria, o que
faz diferença mesmo, é o professor.
De uma conversa entre mãe e filho, aparentemente sem muita importância,
podemos retirar sérias advertências.
E uma delas é a responsabilidade que pesa sobre os ombros daqueles que se
candidatam a ensinar.
Muitos se esquecem de que estão exercendo grande influência sobre as mentes
infantis que lhes são confiadas por pais desejosos de formar cidadãos
nobres.
Talvez pensando mais no salário do que na nobreza da profissão, alguns
tratam os pequenos como se fossem culpados por terem que passar longas horas
numa sala de aula.
Mais grave ainda, é quando se arvoram a dar aulas de religião e agridem as
mentes infantis com a arrogância de que são donos da verdade, semeando no
coração da criança as sementes do cepticismo.
Quem aceita a abençoada missão de ensinar, deve especializar-se nessa arte
de formar os caracteres dos seus educandos, muito mais do que adestrar-se em
passar informações pura e simplesmente.
É preciso que aqueles que se dizem professores tenham consciência de que
cada criatura que passa por uma sala de aula, levará consigo, para sempre,
as marcas indeléveis de suas lições. Sejam elas nobres ou não.
É imprescindível que os educadores sejam realmente mestres, no verdadeiro
sentido do termo.
Que ensinem com sabedoria, entusiasmo e alegria.
Que exemplifiquem a confiança, a paz, a amizade, o companheirismo e o
respeito.
E aquele que toma sobre si a elevada missão de ensinar religião, deverá
estar revestido de verdadeira humildade e da mais pura fraternidade, a fim
de colocar Deus acima de qualquer bandeira religiosa.
Deverá religar a criatura ao seu Criador, independente da religião que esta
professe, sem personalismo e sem o sectarismo deprimente, que infelicita os
seres e os afasta de Deus.
Por fim, todo professor deverá ter sempre em mente que a sua profissão é uma
das mais nobres, porque é a grande responsável por iluminar consciências e
formar cidadãos de bem.
***
Mestre verdadeiro é aquele que ajuda a esculpir nas almas as mais belas
lições de sabedoria.
Verdadeiro professor é aquele que toma das mãos do homem, ainda criança, e o
conduz pela estrada segura da honestidade e da honradez.
O verdadeiro mestre é aquele que segue à frente, sinalizando a estrada com
os próprios passos, com o exemplo do otimismo e da esperança.

Equipe de redação do momento espírita.

A ARTE DE ENVELHECER

A ARTE DE ENVELHECER

Conta um jovem universitário que no seu primeiro dia de aula o professor se
apresentou e pediu que todos procurassem conhecer alguém que ainda não
conheciam.
Ele ficou de pé e olhou ao redor, quando uma mão lhe tocou suavemente o
ombro. Deu meia volta e viu uma velhinha enrugada, cujo sorriso lhe
iluminava todo seu ser.
Ela lhe falou sorrindo: Oi, gato. Meu nome é Rose. Tenho oitenta e sete
anos. Posso lhe dar um abraço?
O moço riu e respondeu com entusiasmo: claro que pode!
Ela lhe deu um abraço muito forte.
Por que a senhora está na Universidade numa idade tão jovem, tão inocente?
Perguntou-lhe o rapaz.
Rindo, ela respondeu: estou aqui para encontrar um marido rico, casar-me,
ter uns dois filhos e, logo me aposentar e viajar.
Eu falo sério, disse seu jovem colega. Quero saber o que a motiva a
enfrentar esse desafio na sua idade.
Rose respondeu gentil: sempre sonhei em ter uma educação universitária e
agora vou ter.
Depois da aula ambos caminharam juntos por longo tempo e se tornaram bons
amigos.
Todos os dias durante os três meses seguintes saíam juntos da classe e
conversavam sem parar.
O jovem universitário estava fascinado em escutar aquela "máquina do tempo".
Ela compartilhava com ele sua sabedoria e experiência.
Durante o curso, Rose se fez muito popular na universidade. Fazia amizades
onde quer que fosse.
Gostava de se vestir bem e se alegrava com a atenção que recebia dos outros
estudantes.
Ao término do último semestre, Rose foi convidada para falar na festa de
confraternização. Naquele dia ela deu a todos uma lição inesquecível.
Logo que a apresentaram ela subiu ao palco e começou a pronunciar o discurso
que havia preparado de antemão. Leu as primeiras frases e derrubou os
cartões onde estavam seus apontamentos.
Frustrada e um pouco envergonhada se inclinou sobre o microfone e disse
simplesmente:
desculpem que esteja tão nervosa. Não vou poder voltar a colocar meu
discurso em ordem. Assim, permitam-me, simplesmente, dizer-lhes o que sei.
Enquanto todos riam, ela limpou a garganta e começou:
Não deixamos de brincar porque estamos velhos; ficamos velhos porque
deixamos de brincar.
Há alguns segredos para manter-se jovem, ser feliz e triunfar.
Temos que rir e encontrar o bom humor todos os dias.
Temos que ter um ideal. Quando perdemos de vista nosso ideal, começamos a
morrer.
Há tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem sequer sabem!
Há uma grande diferença entre estar velho e amadurecer. Se vocês têm
dezenove anos e ficam um ano inteiro sem fazer nada produtivo se converterão
em pessoas de vinte anos.
Se eu tenho oitenta e sete anos e fico por um ano sem fazer nada de útil,
completarei oitenta e oito anos.
Todos podemos envelhecer. Não requer talento nem habilidade para isso. O
importante é amadurecer encontrando sempre a oportunidade na mudança.
Não me arrependo de nada. Nós, de mais idade, geralmente não nos
arrependemos do que fizemos mas do que não fizemos.
E, por fim, os únicos que temem a morte são os que têm remorso.
Terminou seu discurso cantando 'A rosa'. Pediu a todos que estudassem a
letra da canção e a colocassem em prática em suas vidas.
Rose terminou seus estudos e, uma semana depois da formatura, morreu
tranqüilamente enquanto dormia.
Mais de dois mil estudantes universitários assistiram as honras fúnebres
para render tributo à maravilhosa mulher que lhes ensinou, com seu exemplo,
que nunca é demasiado tarde para chegar a ser tudo o que se pode e deve ser.

Pense nisso!

O importante não é acumular muitos anos de vida, mas adquirir sabedoria em
todos os momentos que os anos nos oferecem.
Afinal, envelhecer é obrigatório, amadurecer é opcional.
Pense nisso!

(Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, baseado em história de
autor ignorado)


A ARTE DE FORMAR CARACTERES

A ARTE DE FORMAR CARACTERES

A prática e as pesquisas realizadas por psicólogos demonstram a necessidade
de se repensar a questão da educação dos filhos.
Depois que as experiências provaram que o método do autoritarismo, aplicado
por nossos pais, estava ultrapassado e de certa forma ineficiente, optou-se
por outro método menos eficaz e até danoso: o da "liberdade sem
responsabilidade".
Considerada por alguns psicólogos como prejudicial ao desenvolvimento sadio
da criança, a palavra "não" foi banida do vocabulário de muitos pais, que
hoje amargam profundamente a total falta de controle sobre a prole.
Sem examinar a questão com mais cuidado, os pais modernos aceitaram a
filosofia do "tudo pode", não levando em conta a necessidade de se
estabelecer limites para que haja harmonia dentro do lar.
Depois de perder o controle da situação, muitos apelaram para outro método
desastroso: o da barganha.
Impotentes diante da teimosia dos filhos, criados sem as normas básicas de
disciplina, os pais se perdem nos labirintos das "compensações", em que tudo
é negociado.
Se é hora de ir para a cama e o filho não obedece, a mãe logo lança mão de
algum motivo para a "negociata": "se você for dormir a mamãe deixa você
jogar aquela fita de "game" violenta, que você tanto gosta".
Nesse caso bastaria que a mãe, consciente da sua missão de educadora,
tomasse seu filhos pela mão e o conduzisse com carinho e firmeza para a
cama.
Ou, ainda, se é hora do banho e o "anjinho" faz corpo mole, a mãe logo faz
outro "trato", esquecendo-se de que quando mais se negocia com a criança,
mais ela exigirá para cumprir sua obrigação.
Alguns psicólogos defendem a volta do autoritarismo na educação dos filhos,
mas isso já ficou provado que não dá bons resultados. Seria "domesticação"
ao invés de educação.
Considerando-se que a educação, é a arte de formar caracteres, temos de
convir que a barganha somente servirá para "deformar" os caracteres dos
nossos educandos.
Ademais, se levarmos em conta que nossos filhos são espíritos encarnados que
vêm do espaço para progredir, trazendo em si mesmos as experiências de
outras existências, boas ou não, entenderemos que a grande missão dos pais é
conhecer-lhes a intimidade a ajudá-los a caminhar para Deus.
Nossos filhos são seres inteligentes, que não aceitam somente um "não" como
resposta. Eles merecem e precisam de uma explicação coerente. Não falamos de
justificativas, mas de diálogo.
Se existe um horário para dormir, se é preciso tomar banho, se não podemos
comprar este ou aquele brinquedo, a criança tem o direito de saber porque.
Dizendo, por exemplo, que não compramos o brinquedo que ela tanto queria
porque o orçamento não comporta, ela entenderá, ao passo que se dissermos um
"não" somente, ela ficará revoltada, pensando que não compramos por má
vontade.
Tudo isso requer muito investimento, que não quer dizer "perda de tempo",
como muitos pais afirmam. Investimento de tempo, paciência, afeto e carinho.
A tarefa não é tão difícil e certamente é mais eficaz.

***

Santo Agostinho fez a seguinte advertência em o Evangelho Segundo o
Espiritismo: "lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus:
que fizestes do filho confiado à vossa guarda?
Se por culpa vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo
entre os espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso."
Pensemos nisso!

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita


A ARTE DE RACIOCINAR

A ARTE DE RACIOCINAR

Raciocinar é uma arte que merece uma reflexão mais detida por parte de todos nós.
Mas, e o que é raciocinar?
Segundo os dicionários, raciocinar é fazer uso da razão para conhecer, para julgar da relação das coisas; ponderar; pensar.
De maneira geral nós estamos raciocinando a maior parte do tempo, pois pensamos, fazemos cálculos, tiramos conclusões.
Todavia, quando se trata de tomar decisões em nossas ações diárias, parece que nossa capacidade de raciocinar fica prejudicada ou é abafada pelo egoísmo.
Quando estamos no trânsito, por exemplo, e há um veículo atravessado na rua, cujo motorista espera que alguém lhe de a vez para poder seguir, a razão diz que se o deixarmos passar o tráfego fluirá melhor, beneficiando a todos, mas geralmente não é essa a nossa decisão.
Quando passamos por um lugar onde houve um acidente, e a aglomeração de pessoas está grande, ao invés de ouvirmos os apelos da razão para seguir em frente e não atrapalhar, as mais das vezes nos juntamos à multidão só para satisfazer a curiosidade e julgar a ocorrência sem conhecimento de causa.
Se vamos assistir a um espetáculo, um evento qualquer, o bom senso nos adverte que o melhor é ocupar os lugares mais distantes dos corredores, para facilitar a entrada dos que chegarão depois.
Mas o que acontece geralmente, é que nos sentamos nas primeiras cadeiras e quem chegar depois que passe nos espaços apertados que deixamos. E, por vezes, ainda reclamamos pelo fato de ter que encolher as pernas para que os outros passem.
Outra situação bastante despropositada é a das mães ou pais com crianças pequenas que ocupam lugares de difícil acesso.
Se for um evento em que se faz necessário o silêncio, quando os pequenos começam a chorar ou gritar, esses pais perturbam a metade da platéia até chegarem às portas de saída.
Todas essas situações poderiam ser evitadas se usássemos a arte de raciocinar, tomando sempre as decisões mais racionais.
Nas questões emocionais, o raciocínio sempre é bom conselheiro, mas o que acontece amiúde, é que não lhe damos ouvidos, preferindo agir como os irracionais.
Se necessitamos chamar atenção de um filho, ou outro familiar, por exemplo, e percebemos que este chega nervoso, irritado, a razão nos aconselha deixar para outro momento, mas, infelizmente, nem sempre a ouvimos e despejamos sobre ele uma enxurrada de palavras ásperas, agravando a situação.
Se o namorado ou namorada nos diz que já não somos mais o amor da sua vida, a razão pede que nos afastemos, mas nem sempre é assim que agimos. E é por esse motivo que muitos crimes passionais são cometidos.
Vale a pena prestar mais atenção nessa faculdade bendita que Deus nos deu, chamada razão.
Se lhe déssemos ouvidos, aliando-a ao sentimento, por certo, evitaríamos muitos males, tanto para nós quanto para os outros.

Pense nisso!

Quando suas vistas contemplarem as densas nuvens cinzentas que pairam há apenas alguns metros de altura, ouça com atenção a voz da razão a lhe dizer, com toda segurança que logo acima brilha o sol, soberano, que vencerá as trevas em pouco tempo.
Pense nisso!

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita


A ARTE DE RESOLVER CONFLITOS

A ARTE DE RESOLVER CONFLITOS

O trem atravessava sacolejando os subúrbios de Tóquio numa modorrenta tarde de primavera.
Um dos vagões estava quase vazio: apenas algumas mulheres e idosos e um jovem lutador de Aikidô.
O jovem olhava, distraído, pela janela, a monotonia das casas sempre iguais e dos arbustos cobertos de poeira.
Chegando a uma estação as portas se abriram e, de repente, a quietude foi rompida por um homem que entrou cambaleando, gritando com violência palavras sem nexo.
Era um homem forte, com roupas de operário. Estava bêbado e imundo.
Aos berros, empurrou uma mulher que carregava um bebê ao colo e ela caiu sobre uma poltrona vazia. Felizmente nada aconteceu ao bebê.
O operário furioso agarrou a haste de metal no meio do vagão e tentou arranca-la. Dava para ver que uma das suas mãos estava ferida e sangrava.
O trem seguiu em frente, com os passageiros paralisados de medo e o jovem se levantou.
O lutador estava em excelente forma física. Treinava oito horas todos os dias, há quase três anos.
Gostava de lutar e se considerava bom de briga. O problema é que suas habilidades marciais nunca haviam sido testadas em um combate de verdade. Os alunos são proibidos de lutar, pois sabem que Aikidô "é a arte da reconciliação.
Aquele cuja mente deseja brigar perdeu o elo com o universo.
Por isso o jovem sempre evitava envolver-se em brigas, mas no fundo do coração, porém, desejava uma oportunidade legítima em que pudesse salvar os inocentes, destruindo os culpados.
Chegou o dia! Pensou consigo mesmo. Há pessoas correndo perigo e se eu não fizer alguma coisa é bem possível que elas acabem se ferindo.
O jovem se levantou e o bêbado percebeu a chance de canalizar sua ira.
Ah! Rugiu ele. Um valentão! Você está precisando de uma lição de boas maneiras!
O jovem lançou-lhe um olhar de desprezo.
Pretendia acabar com a sua raça, mas precisava esperar que ele o agredisse primeiro, por isso o provocou de forma insolente.
Agora chega! Gritou o bêbado. Você vai levar uma lição. E se preparou para atacar.
Mas, antes que ele pudesse se mexer, alguém deu um grito: Hei!
O jovem e o bêbado olharam para um velhinho japonês que estava sentado em um dos bancos.
Aquele minúsculo senhor vestia um quimono impecável e devia ter mais de setenta anos...
Não deu a menor atenção ao jovem, mas sorriu com alegria para o operário, como se tivesse um importante segredo para lhe contar.
Venha aqui  disse o velhinho, num tom coloquial e amistoso.  Venha conversar comigo  insistiu, chamando-o com um aceno de mão.
O homenzarrão obedeceu, mas perguntou com aspereza: por que diabos vou conversar com você?
O velhinho continuou sorrindo. O que você andou bebendo? Perguntou, com olhar interessado.
Saquê  rosnou de volta o operário  e não é da sua conta!
Com muita ternura, o velhinho começou a falar da sua vida, do afeto que sentia pela esposa, das noites que sentavam num velho banco de madeira, no jardim, um ao lado do outro.
Ficamos olhando o pôr-do-Sol e vendo como vai indo o nosso caquizeiro, comentou o velho mestre.
Pouco a pouco o operário foi relaxando e disse: é, é bom. Eu também gosto de caqui...
São deliciosos  concordou o velho, sorrindo. E tenho certeza de que você também tem uma ótima esposa.
Não, falou o operário. Minha esposa morreu.
Suavemente, acompanhando o balanço do trem, aquele homenzarrão começou a chorar.
Eu não tenho esposa, não tenho casa, não tenho emprego. Eu só tenho vergonha de mim mesmo.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto. E o jovem estava lá, com toda sua inocência juvenil, com toda a sua vontade de tornar o mundo melhor para se viver, sentindo-se, de repente, o pior dos homens.
O trem chegou à estação e o jovem desceu. Voltou-se para dar uma última olhada. O operário escarrapachara-se no banco e deitara a cabeça no colo do velhinho, que afagava com ternura seus cabelos emaranhados e sebosos.
Enquanto o trem se afastava, o jovem ficou meditando... O que pretendia resolver pela força foi alcançado com algumas palavras meigas. E aprendeu, através de uma lição viva, a arte de resolver conflitos.

Equipe de Redação do Momento Espírita, adaptação de conto do livro "Histórias da alma, histórias do coração", Editora Pioneira.


A ARTE DO MATRIMÔNIO

A ARTE DO MATRIMÔNIO
Qual será o segredo dos casamentos duradouros? Casais que convivem há anos falam de paciência, renúncia, compreensão.
Em verdade, cada um tem sua fórmula especial. Recentemente lemos as anotações de um escritor que achamos muito interessantes.
Ele afirma que um bom casamento deve ser criado. No casamento, as pequenas coisas são as grandes coisas.
É jamais ser muito velho para dar-se as mãos, diz ele. É lembrar de dizer "te amo", pelo menos uma vez ao dia.
É nunca ir dormir zangado. É ter valores e objetivos comuns.
É estar unidos ao enfrentar o mundo. É formar um círculo de amor que una toda a família.
É proferir elogios e ter capacidade para perdoar e esquecer.
É proporcionar uma atmosfera onde cada qual possa crescer na busca recíproca do bem e do belo.
É não só casar-se com a pessoa certa, mas ser o companheiro perfeito."
E para ser o companheiro perfeito é preciso ter bom humor e otimismo. Ser natural e saber agir com tato.
É saber escutar com atenção, sem interromper a cada instante.
É mostrar admiração e confiança, interessando-se pelos problemas e atividades do outro. Perguntar o que o atormenta, o que o deixa feliz, por que está aborrecido.
É ser discreto, sabendo o momento de deixar o companheiro a sós para que coloque em ordem seus pensamentos.
É distribuir carinho e compreensão, combinando amor e poesia, sem esquecer galanteios e cortesia.
É ter sabedoria para repetir os momentos do namoro. Aqueles momentos mágicos em que a orquestra do mundo parecia tocar somente para os dois.
É ser o apoio diante dos demais. É ter cuidado no linguajar, é ser firme, leal.
É ter atenção além do trivial e conseguir descobrir quando um se tiver esmerado na apresentação para o outro.
Um novo corte de cabelo, uma vestimenta diferente, detalhes pequenos mas importantes.
É saber dar atenção para a família do outro pois, ao se unir o casal, as duas famílias formam uma unidade.
É cultivar o desejo constante de superação.
É responder dignamente e de forma justa por todos os atos.
É ser grato por tudo o que um significa na vida do outro.
***
O amor real, por manter as suas raízes no equilíbrio, vai se firmando dia a dia, através da convivência estreita.
O amor, nascido de uma vivência progressiva e madura, não tende a acabar, mas amplia-se, uma vez que os envolvidos passam a conhecer vícios e virtudes, manias e costumes de um e de outro.
O equilíbrio do amor promove a prática da justiça e da bondade, da cooperação e do senso de dever, da afetividade e advertência amadurecida.
Baseado nos livros: Um presente especial – cap. A arte do matrimônio, na mulher o homem aprecia, no homem a mulher aprecia.
Vereda familiar, ed. FRÁTER – cap. 2

A AUSENTE

A AUSENTE

            Há várias espécies de dores capazes de atingir os corações
humanos.
            Qual a mais intensa?
            Parece-nos ser aquela que estamos sentindo no momento.
            Temos o costume de esquecer o passado e valorizar o sentimento
presente como se nada de pior já tivesse acontecido, ou pudesse vir a
acontecer.
            Isso é uma tendência muito natural do ser humano.
            Mesmo assim, existem sofrimentos que se distinguem dos outros, e
assumem perante a maioria das criaturas uma condição de maior gravidade.
            A morte de um ser querido, por exemplo.
            Não há quem não se comova, sofra, sinta verdadeiramente quando
um ser amado abandona o envoltório corporal e parte para outro plano da
vida.
            Pouco importa se a desencarnação foi repentina, ou não; se foi
violenta, ou serena.
            Não interessa se aquele que partiu já contava com avançada
idade, ou se ainda era jovem.
            Não há como mensurar essa espécie de dor.
            E cada um a sente, e reage a ela, de forma diversa.
            Há aqueles que se entregam, blasfemam e se revoltam.
            Há outros que choram, mas que aceitam, envolvendo suas dores no
bálsamo da prece e da fé.
            Há, ainda, os que buscam modos nobres e belos para render novas
homenagens àqueles que já se foram.
            Assim parece-nos ter agido o poeta Augusto Frederico Schmidt,
que toca nossos corações com os seguintes versos:

            "Os que se vão, vão depressa,
            Ontem, ainda, sorria na espreguiçadeira.
            Ontem dizia adeus, ainda da janela.
            Ontem vestia, ainda, o vestido tão leve cor-de-rosa.
            Os que se vão, vão depressa.
            Seus olhos grandes e pretos, há pouco, brilhavam.
            Sua voz doce e firme faz pouco ainda falava.
            Suas mãos morenas tinham gestos de bênçãos.
            No entanto hoje, na festa, ela não estava.
            Nem um vestígio dela, sequer.
            Decerto sua lembrança nem chegou, como os convidados,
            Alguns, quase todos, indiferentes e desconhecidos.
            Os que se vão, vão depressa
            Mais depressa que os pássaros que passam no céu,
            Mais depressa que o próprio tempo,
            Mais depressa que a bondade dos homens,
            Mais depressa que os trens correndo, nas noites escuras,
            Mais depressa que a estrela fugitiva que mal faz traço no céu.
            Os que se vão, vão depressa.
            Só no coração do poeta, que é diferente dos outros corações,
            Só no coração sempre ferido do poeta
            É que não vão depressa os que se vão.
            Ontem ainda sorria na espreguiçadeira,
            E seu coração era grande e infeliz.
            Hoje, na festa ela não estava, nem sua lembrança.
            Vão depressa, tão depressa os que se vão ..."

***

            Não permita que sua dor, seja ela causada pelo motivo que for, o
impeça de perceber a beleza de cada momento.
            Não deixe que suas lágrimas, por mais sentidas e justas que
sejam, turvem sua visão, impossibilitando que seus olhos vejam a vida com
clareza e serenidade.
            Dedique aos amores que partiram pensamentos otimistas e repletos
de confiança no reencontro futuro, sem desespero nem revolta.
            Se hoje, na sua rotina, pareceu-lhe que ninguém notou a dor que
lhe invadia intensamente o peito, saiba que nada, nem mesmo nossas
angústias, passam despercebidas ao pai.
            Confie, persista e prossiga, sempre.

A BAGAGEM

A BAGAGEM

Existe um personagem de desenhos animados infantis que tem um certo toque de
mistério e magia.
Seu nome é Gato Félix. A todo lugar que vá, ele leva a sua maleta. É uma
maleta especial, pequena. E tudo o que ele deseja, tira da dita maleta.
Se for hora do lanche, ele encontra frutas, sanduíches e sucos. Se
necessitar fazer um conserto, as ferramentas lá estão. Sempre as certas e
precisas.
Se chover de repente, basta abrir a maleta para encontrar capa,
guarda-chuva, botas. E assim em qualquer situação.
Cada um de nós também possui uma pequena mala de mão, em nossa vida, mais ou
menos parecida com a do personagem infantil.
Quando a vida começa, temos em mãos a pequena mala. À medida que os anos
passam, a bagagem, dentro dela, vai aumentando.
É que vamos colocando tudo o que recolhemos pelo caminho. Algumas coisas
muito importantes. Outras, nem tanto. Muitas, dispensáveis.
Chega um momento em que a bagagem começa a ficar insuportável de ser
carregada. Pesa demais.
Nesse momento, o melhor mesmo é aliviar o peso, esvaziar a mala.
Você examina o conteúdo e vai pondo para fora.
Amor, amizade. Curioso, não pesam nada.
Depois você tira a raiva. Como ela pesa! Na seqüência, você tira a
incompreensão, o medo, o pessimismo.
Nesse momento, você encontra o desânimo. Ele é tão grande que, ao tentar
tirá-lo, ele é que quase o puxa para dentro da mala.
Por fim, você encontra um sorriso. Bem lá no fundo, quase sufocado.
Pula para fora outro sorriso. E mais outro. Aí você encontra a felicidade.
Mas ainda tem mais coisas dentro da mala. Você remexe e encontra a tristeza.
É bom jogá-la fora.
Depois, você procura a paciência dentro da mala. Vai precisar bastante dela.
E também procura a força, a esperança, a coragem, o entusiasmo, o
equilíbrio, a responsabilidade, a tolerância e o bom e velho humor.
A preocupação que você encontrar, deixe de lado. Depois você pensa no que
fazer com ela.
Bem, agora que você tirou tudo da sua mala, deve arrumar toda a bagagem.
Pense bem no que vai colocar lá dentro de novo. Isso é com você.
E depois de toda a bagagem pronta, o caminho recomeçado, lembre de repetir a
arrumação vez ou outra.
O caminho é longo até chegar ao final da jornada, e você terá que carregar a
mala o tempo todo.
E quando chegar do outro lado, é bom que em sua bagagem tenha o máximo de
coisas positivas, como boas obras, amizades, carinho, amor.
Porque isso tudo não pesa na sua bagagem, enquanto na terra. Mas quando for
colocada na balança da justiça, para além da existência física, pesará e
muito, positivamente.

***

A vida é uma grande viagem. Durante um tempo excursiona-se pelas paisagens
terrenas.
É um período para estudar, trabalhar, progredir.
Um dia, retorna-se para a estação espiritual. É o momento de contar as
conquistas e as perdas. Os erros e os acertos.
Que a nossa bagagem, nesse dia, possa estar repleta de virtudes, o bem
praticado, afetos conquistados para nossa própria e grande felicidade.

A BÊNÇÃO DO PERDÃO

A BÊNÇÃO DO PERDÃO

            Uma nuvem espessa pairava sobre a alma daquela mãe sofrida...
            O seu jovem filho, criado com amor e desvelo, fora assassinado
por um amigo dominado pelas drogas.
            O desespero e a amargura eram suas companhias permanentes.
            Os olhos fundos e a palidez denunciavam as noites de insônia e a
falta de alimentação.
            Uma amiga a convidou, talvez inspirada pela providência divina,
a buscar ajuda do orador e médium espírita de extrema seriedade e profunda
dedicação ao bem, Divaldo Pereira Franco.
            Era início da noite na cidade de salvador, quando as duas
senhoras adentraram a casa espírita singela, onde o médium atende aqueles
que o procuram em busca de consolo e esperança.
            Divaldo percebeu que se tratava de um caso grave e atendeu
aquela mãe prontamente, com grande ternura.
            Aos poucos a senhora ia contando o drama ocorrido, falando que
um amigo do filho o havia alvejado por motivos banais, de ligeiro
desentendimento entre ambos.
            Enquanto a genitora narrava o seu drama, aproxima-se do médium a
benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, trazendo o jovem assassinado, ainda
convalescente, e diz a Divaldo para transmitir à mãe sofrida, algumas
palavras do filho.
            Naquele momento o filho, tomando emprestada a aparelhagem
fonadora do médium, fala à mãezinha palavras de conforto.
            Disse para que não cometesse o suicídio, como estava
pretendendo, pois esse crime a afastaria ainda mais dele, e por mais tempo.
            Pediu à mãe que se lembrasse da mãe do amigo que cometera o
crime e agora estava detido pelas grades da justiça humana, numa cadeia,
entre criminosos comuns.
            Aquela mãe, sim, era muito infeliz, pois seu filho é o
verdadeiro desgraçado e não ele, que agora estava sob o amparo de amigos
espirituais atenciosos e fraternos.
            Ao ouvir a voz inconfundível do filho querido, que julgava ter
desaparecido para sempre, a mulher abraça com ternura o médium, por cuja
boca se podiam ouvir as palavras amáveis e lúcidas do jovem assassinado.
            Sob a inspiração da benfeitora do além, Divaldo aconselha a
mulher a considerar o estado de alma da outra mãe, da mãe do assassino, e
pensar na possibilidade do perdão.
            Na semana seguinte, quando o médium baiano se preparava para
atender aqueles que o buscavam na singeleza da casa espírita, vê adentrarem
a sala duas senhoras, pálidas e de aspecto sofrido.
            Uma ele já conhecia, a outra lhe era estranha.
            Quando chegou a vez de atendê-las, a mulher que estivera ali na
semana anterior lhe apresentou a companheira, dizendo ser a mãe do amigo do
seu filho.
            O médium entendeu que ela havia seguido os conselhos ali
recebidos e buscava ajudar aquela mãe mais infeliz que ela própria.
            Conversaram por longo tempo.
            Ao se despedir das duas senhoras, Divaldo percebeu que um raio
de luz penetrava suavemente aquelas almas doloridas.
            A luz do perdão se fazia bênção de paz e gerava serena harmonia
naqueles corações dilacerados pela dor da separação dos filhos bem-amados,
embora por motivos diversos.
            Na medida em que o tempo ia passando, as duas mães encontraram
motivos para voltar a sorrir, e juntas visitavam o jovem no cárcere.
            Fundaram uma casa de recuperação de toxicômanos para ajudar
outros tantos jovens a se libertar das cadeias infelizes das drogas.

***

            O perdão é uma das mais belas provas de confiança nas soberanas
leis de Deus.
            Quem perdoa sabe que deus é justiça e, por isso mesmo, suas leis
jamais se enganam.
            Perdoar é receber com resignação os fatos que não se pode evitar
ou mudar, com a certeza de que a justiça divina não se equivoca e nada
acontece conosco se o criador não permitir.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história narrada por
Divaldo Franco na cidade de Videira-SC, no dia 22/09/03.





A CERTEZA DA SOBREVIVÊNCIA

A CERTEZA DA SOBREVIVÊNCIA

Foi na primavera de 1995. Rick acabara de ganhar sua medalha de ouro nas
olimpíadas. Era a sensação do colégio. Depois de uma palestra, o diretor lhe
perguntou se ele poderia fazer uma visita a um aluno especial.
O menino se chamava Matthew e não pudera se fazer presente à palestra. No
entanto, tinha manifestado interesse em conhecer Rick.
Com
o o diretor se sensibilizara com o pedido e Rick concordou, eles foram à
casa do garoto. No trajeto de 14 quilômetros, Rick descobriu algumas coisas.
O menino era portador de distrofia muscular.
Quando nascera, os médicos disseram a seus pais que ele não viveria até os 5
anos. Depois, que ele não chegaria aos 10. Ele estava com 13 anos, e era um
lutador.
Queria conhecer Rick porque ganhara a medalha de ouro nas olimpíadas e ele,
Matthew sabia tudo sobre superar obstáculos e correr atrás de sonhos.
Durante uma hora conversaram e, em nenhum momento, Matthew reclamou da sua
situação, nem questionou: por que eu? Falou sobre vencer e correr para
alcançar os seus sonhos.
Não comentou que seus colegas de turma gozavam dele, às vezes, porque ele
era diferente. Falou apenas de suas esperanças para o futuro e de como, um
dia, haveria de conseguir fazer levantamento de peso.
Quando a conversa se encerrou, Rick tirou de sua pasta a medalha de ouro que
ganhara por levantamento de peso e a colocou no pescoço do garoto.
Disse a Matthew que ele era um vencedor e que sabia mais sobre sucesso e
superar obstáculos do que ele próprio.
O menino olhou a medalha, depois a devolveu, dizendo: Rick, você é um
campeão. Mereceu esta medalha. Algum dia, quando for para a olimpíada e
ganhar a minha medalha de ouro, vou mostrá-la a você.
Quando chegou o verão, Rick recebeu uma carta dos pais de Matthew. Ele havia
morrido, mas endereçara-lhe uma carta que escrevera apenas alguns dias antes
de partir.
Rick a abriu e leu: caro Rick, minha mãe disse que eu deveria lhe mandar uma
carta agradecendo pela foto legal que você me mandou. Eu também queria
contar que os médicos disseram que não vou viver muito tempo.
Está ficando muito difícil respirar e eu me canso com facilidade. Mas ainda
sorrio o quanto posso. Sei que nunca vou ser tão forte quando você e sei que
nunca vamos levantar peso, juntos.
Um dia eu disse a você que iria à olimpíada e ganharia uma medalha de ouro.
Agora sei que nunca vou fazer isso.
Mas sei que sou um campeão. E Deus também sabe. Ele sabe que eu não desisto.
Por isso, quando eu chegar do outro lado, Deus vai me dar uma medalha de
ouro. E quando você chegar lá, eu vou mostrá-la a você.
Obrigado por me amar. Seu amigo. Matthew.

***

Para quem guarda a certeza da imortalidade da alma, todo adeus se transforma
em um até logo. E quando percebe que a vida física vai acabar, já arruma
toda sua bagagem para a nova vida.
Para quem crê que a alma vive e vibra, para além da tumba, a saudade se
dilui no tempo, porque sempre chegará o momento dos reencontros, mesmo que
os anos passem, somando-se em décadas e se multipliquem em doce e acalentada
espera.
Para quem tem convicção da sua imortalidade, a madrugada do amanhã será logo
mais, vencida a sombra da morte e superado o obstáculo de qualquer temor.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. Medalhista de ouro,
de autoria de Rick Metzger, do livro Histórias para aquecer o coração dos
adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed.
Sextane.